Ocupar significa estar PRESENTE... polir a matéria de que se fazem os sonhos, por onde navegamos e submergimos com a sutileza das idéias, que nos atiça e nos movimenta quando estamos insossos e soçobra a riqueza da vida na fusão dos espaços e no delírio dos tempos...
Meu presente, insistente, é esse não-ausente trovoar das palavras,
Uma feitiçaria ébria de jugo e veneno que verve pelo sereno das madrugadas
Enlouquece tempestade inteira de relâmpagos e tremores
Afagando meu sono com banho de chuva, sóis e calores...
Há um quê de paranóico esse experimentar ao voar
Derretendo meus dias de tanto queimar
Queimando como chama de vida que acende o incendiar
Labaredas infindas no insano horizonte do mar
Esse fenômeno é um simples passar, que de tão passarinho ficou pelo ar
É vento furacônico que faz viajar, atravessando o céu, a terra e o mar
Força que desafia a ousadia de querer navegar, pois em caravelas de riso
Aqui, lá , acolá, aos quinhentos cantos do mundo insisto em levar
Um presente não-presente que apenas se sente faz com força o não-ausente
Vivente, contente, tão intenso reticente, levemente adormecer no colo da mente
Suave, bravamente incidente, provocando urgentemente um outro acidente
Que a gente, de repente, faz ter novamente, como outro presente, torrente,
Orgasticamente surpreendente!
domingo, 15 de junho de 2008
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